o olho incha
a cabeça dói
a vista enturva
o tempo empurra
o amor murcha
o momento mói
a tentativa esgota
o escorpião desiste
a vida muda
fim.
domingo, 7 de julho de 2013
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Esperando
Muito certamente, a pior das sensações que há na vida é a espera por quem não ficou de chegar. A promessa que se entende na entrelinha e que se dá por certa no meio dos sentimentos e das palavras que nunca foram pronunciadas.
Ouvi outro dia, num lugar qualquer, que quem consegue traduzir o que sente em palavras não sente de verdade. Não digo, logo sinto. Você não fala, interpreto. Planejo, teatralizo. E, de repente, estou no meio daquilo que nunca esperaria estar.
Estou em pedaços, em partes espalhadas, esperando aquela promessa tola que minha cabeça inventou. Desejo que você materialize ali, no meio do quarto vazio das coisas esquecidas, onde só tem eu jogada: invisível, impossível, incompreendida.
Busco o que vai me salvar, me aconchegando ao que não existe, ao que nunca será, a quem não ficou de chegar.
Ouvi outro dia, num lugar qualquer, que quem consegue traduzir o que sente em palavras não sente de verdade. Não digo, logo sinto. Você não fala, interpreto. Planejo, teatralizo. E, de repente, estou no meio daquilo que nunca esperaria estar.
Estou em pedaços, em partes espalhadas, esperando aquela promessa tola que minha cabeça inventou. Desejo que você materialize ali, no meio do quarto vazio das coisas esquecidas, onde só tem eu jogada: invisível, impossível, incompreendida.
Busco o que vai me salvar, me aconchegando ao que não existe, ao que nunca será, a quem não ficou de chegar.
quinta-feira, 13 de junho de 2013
oi, ta aí?
oi, ta aí?
queria dizer isso logo, acho que vou dizer mesmo sem vc estar
explicar o que sinto.
é difícil
sinto falta
e ai sinto falta em todos os meios
e ai nao entendo
e ai me fecho
mas te amo
e mais te amo também
Ele está digitando...
e me ama também?
e me ama mais?
comigo é assim: eu te amo.
dai a gente se ama
e eu acabo te amando mais
explicar o que sinto.
é difícil
sinto falta
e ai sinto falta em todos os meios
e ai nao entendo
e ai me fecho
mas te amo
e mais te amo também
Ele está digitando...
e me ama também?
e me ama mais?
comigo é assim: eu te amo.
dai a gente se ama
e eu acabo te amando mais
terça-feira, 4 de junho de 2013
Amar é (assim como na tirinha)...
...guardar o coração de quem se ama, enquanto entrega o seu pra ele carregar.
domingo, 12 de maio de 2013
Esse é só o (re)começo
Minha vida é feita de recomeços. Sempre foi. Fiz um mapa
astral certa vez e descobri que, além de se tratar dos desígnios celestiais
pré-traçados, tinha a ver com o meu nome também. Renata = renascida, ou: aquela
que renasce. Nunca imaginei, no entanto, que teria, ainda, uma carga genética
nessa minha, digamos, característica.
Muitas vezes a gente tenta entender o porquê de determinadas
coisas acontecerem. Por que somos escolhidos, de alguma forma, para passar por
barras mais pesadas que outras pessoas, ou, ainda muito pior, por que gente que
amamos mais do que a nós mesmos tem que sofrer com essa escolha inapropriada
feita por sei lá quem? Tenho me feito essa pergunta todos os dias e sinto que
nunca vou encontrar a resposta. Entre aprender o que esse sofrimento todo tem
imposto e permanecer na ignorância do que, de fato, importa na vida, preferia,
muito sinceramente, me manter inocente. Não por mim, mas por ela.
Ver quem a gente sempre protegeu e amou sofrendo, lutando,
sentindo dor e não poder fazer nada além de pegar um remédio, dar um abraço,
contar uma piadinha besta é de uma sensação de impotência absurda. É como, de
uma hora pra outra, não ter os dois braços, é um aleijamento, uma incapacidade
quase física. Ao mesmo tempo, é um aprendizado absurdo e inerente a tudo o que
estamos passando.
Aprender, basicamente, a dar valor ao que interessa. E, mais
que isso, entender que não importam muito os motivos que levaram tudo a
acontecer, mas que união, amor e fé independem de razões mesmo. Não há o que
racionalizar porque estamos aqui pra sofrer, lutar e sentir essa dor juntas. Porque
é disso que é feito o amor e é esse o sentimento que nos move.
Renasço amanhã. Ou melhor, a partir de amanhã. Na realidade,
fisicamente, quem renasce é ela. E é reviver mesmo, apagar o que passou, Lacuna
Inc., control alt del.
É tudo novo de novo.
sexta-feira, 1 de março de 2013
À Laura.
E aí que somos inconsequentes. Insensatos. Equivocados. E no meio dessa loucura toda da qual, simplesmente, não damos conta sozinhos, trazemos mais uma nova pequena e indefesa pessoinha pra passar por esse mundo de insanos. Meu Deus, por quê? Para quê? Para onde?
Para nós.
Para mais do que nós, para além de nós, para ensinar a todos nós. Em um diminuto pedacinho de gente depositamos a esperança de toda uma vida, a crença de que somos fortes o suficiente para impedir que qualquer mal aconteça. Ledo engano, não temos controle nem sobre o que de bom acontece, que dirá impedir os maus desígnios. Ou mesmo entender a função que eles tem sobre nós, sobre os outros, sobre a inocência, sobre o amor.
Amor.
Amor que pulsa - e pulsa descontroladamente - em uma só direção e pretende somente um objetivo, tem apenas um querer bem. E tá ali, pequenina, bem feita, olhos pretos, cabelos fartos. Toda uma vida inteira a ser plena, amada, amável, única:
A pequena princesa guerreira. A Laura.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Do que vira dor
Quando um sentimento vira uma dor física daquelas que te machucam por dentro. Tanto - e tão forte - que você imagina como uma agulha de costura presa entre a unha e a pele, que nem chega a sangrar, mas dói na alma.
É a sensação que vem da desproteção milimetricamente calculada. Do: "você sabe aonde está se metendo?" ou do: "eu te avisei" que sempre acompanham aqueles que te querem bem, e, ainda assim, nunca são suficientes para te impedir de cometer os deslizes (des)necessários da vida.
Deslizes tão óbvios, tão claros, que me pergunto como não os havia cometido antes. Ou até cometi, no entanto, hoje fazem tão pouco sentido, que é como se não tivessem acontecido. Eles vêm da entrega mais equivocada e inocente que se tem conhecimento, vêm daquilo mais bonito que a gente possui e que tentam extirpar.
E viram essa dor que tá aqui agora (e só aumenta). Que, de uma hora pra outra, deixará de ser essa pra virar outra e outra e outra.
E outra.
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