quarta-feira, 17 de julho de 2013

O alcance da promessa


É o que me interessa (Lenine)

Daqui desse momento
Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
Assombram a paisagem.

Quem vai virar o jogo
E transformar a perda
(...)
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado
Só de quem me interessa.

Às vezes é um instante
A tarde faz silêncio
(...)
Às vezes eu pressinto e é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou
(...)
Atrasa (...)
(...) a minha pressa
(...)
Sussurra em meu ouvido
Só o que me interessa.

A lógica do vento
O caos do pensamento
(...)
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
(...)
(...) o infinito
Só o que me interessa.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Sobre ser um bom lugar

Um bom lugar tem calma e aconchego
e uma rede pra descansar os pés
pode ter uma praia ao longe
assim, só pra olhar e se sentir bem.
Tem cheiro de terra molhada
e o frescor da brisa da manhã.
Um bom lugar nem precisa de mim ou de você
mas daquilo que nos faz melhor.
E, desse jeito, um bom lugar pode ser aqui, aí
pode ser qualquer lugar.

domingo, 7 de julho de 2013

...

o olho incha
a cabeça dói
a vista enturva
o tempo empurra
o amor murcha
o momento mói
a tentativa esgota
o escorpião desiste
a vida muda
fim.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Esperando

Muito certamente, a pior das sensações que há na vida é a espera por quem não ficou de chegar. A promessa que se entende na entrelinha e que se dá por certa no meio dos sentimentos e das palavras que nunca foram pronunciadas.
Ouvi outro dia, num lugar qualquer, que quem consegue traduzir o que sente em palavras não sente de verdade. Não digo, logo sinto. Você não fala, interpreto. Planejo, teatralizo. E, de repente, estou no meio daquilo que nunca esperaria estar.
Estou em pedaços, em partes espalhadas, esperando aquela promessa tola que minha cabeça inventou. Desejo que você materialize ali, no meio do quarto vazio das coisas esquecidas, onde só tem eu jogada: invisível, impossível, incompreendida.
Busco o que vai me salvar, me aconchegando ao que não existe, ao que nunca será, a quem não ficou de chegar.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

oi, ta aí?


Ela está digitando...
oi, ta aí?
queria dizer isso logo, acho que vou dizer mesmo sem vc estar
explicar o que sinto.
é difícil
sinto falta
e ai sinto falta em todos os meios
e ai nao entendo
e ai me fecho
mas te amo
e mais te amo também

Ele está digitando...
e me ama também?
e me ama mais?
comigo é assim: eu te amo.
dai a gente se ama
e eu acabo te amando mais

terça-feira, 4 de junho de 2013

domingo, 12 de maio de 2013

Esse é só o (re)começo



Minha vida é feita de recomeços. Sempre foi. Fiz um mapa astral certa vez e descobri que, além de se tratar dos desígnios celestiais pré-traçados, tinha a ver com o meu nome também. Renata = renascida, ou: aquela que renasce. Nunca imaginei, no entanto, que teria, ainda, uma carga genética nessa minha, digamos, característica.

Muitas vezes a gente tenta entender o porquê de determinadas coisas acontecerem. Por que somos escolhidos, de alguma forma, para passar por barras mais pesadas que outras pessoas, ou, ainda muito pior, por que gente que amamos mais do que a nós mesmos tem que sofrer com essa escolha inapropriada feita por sei lá quem? Tenho me feito essa pergunta todos os dias e sinto que nunca vou encontrar a resposta. Entre aprender o que esse sofrimento todo tem imposto e permanecer na ignorância do que, de fato, importa na vida, preferia, muito sinceramente, me manter inocente. Não por mim, mas por ela.

Ver quem a gente sempre protegeu e amou sofrendo, lutando, sentindo dor e não poder fazer nada além de pegar um remédio, dar um abraço, contar uma piadinha besta é de uma sensação de impotência absurda. É como, de uma hora pra outra, não ter os dois braços, é um aleijamento, uma incapacidade quase física. Ao mesmo tempo, é um aprendizado absurdo e inerente a tudo o que estamos passando. 

Aprender, basicamente, a dar valor ao que interessa. E, mais que isso, entender que não importam muito os motivos que levaram tudo a acontecer, mas que união, amor e fé independem de razões mesmo. Não há o que racionalizar porque estamos aqui pra sofrer, lutar e sentir essa dor juntas. Porque é disso que é feito o amor e é esse o sentimento que nos move.

Renasço amanhã. Ou melhor, a partir de amanhã. Na realidade, fisicamente, quem renasce é ela. E é reviver mesmo, apagar o que passou, Lacuna Inc., control alt del.

É tudo novo de novo.